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Começa o I Mutirão do Pai Presente no Fórum Clóvis Beviláqua

Teve início na manhã desta segunda-feira (16/05), no Fórum Clóvis Beviláqua, o I Mutirão do Pai Presente, que prossegue até o próximo dia 27. O evento foi aberto pelo desembargador Francisco Lincoln Araújo e Silva, corregedor-geral da Justiça do Ceará, que exaltou a importância da ação. “O projeto garante, não apenas que crianças e jovens tenham os seus direitos assegurados por lei, como herança e pensão, por exemplo. Além da função jurídica, o Pai Presente permite também um ganho social e afetivo”, destacou.

Implantado nacionalmente em 2010, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a iniciativa já realizou mais de 6 mil reconhecimentos de paternidade espontâneos no Ceará. A ideia, no entanto, é conseguir um número ainda mais expressivo. “Esse projeto busca diminuir ao máximo o número de pessoas sem paternidade reconhecida e, dessa forma, garantir o direito fundamental à paternidade”, explicou Roberta Ponte, juíza auxiliar da Corregedoria e coordenadora do projeto no Estado, que conta com o apoio da presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargadora Iracema Vale.

Segundo a magistrada, dados fornecidos pela Secretaria de Educação de Fortaleza, na Capital, revelam a existência de cerca de 11 mil crianças sem o nome do pai no registro de nascimento.

É o caso de cinco dos nove filhos da dona de casa Edneusa Pereira. Após receber uma carta de intimação para comparecer ao mutirão para dizer se tinha interesse em buscar a paternidade de uma das filhas, ela foi incentivada por uma amiga a ir ao Fórum levando também a documentação dos outros quatro que não têm o nome do pai na certidão.

Hoje, Edneusa sustenta a si e mais sete crianças e adolescentes com uma renda de R$ 278,00 conseguidos através do programa Bolsa Família. “Ela fica poupando os pais dos meninos, mas ela precisa de ajuda, não tem condições de criar todo mundo sozinha”, reforçou a amiga.

A ação conta com a ajuda voluntária de 80 alunos dos cursos de Direito e Psicologia da Faculdade Devry Fanor. São eles os responsáveis pelo atendimento às mães fazendo a checagem da documentação necessária (identidade da mãe ou responsável e certidão de nascimento do filho menor de idade), dos dados do suposto pai (nome completo e endereço) e agendamentos das audiências.

Para a coordenadora do curso de Direito da instituição, Márcia Sucupira, os aprendizados dos estudantes que atuam no projeto vão além das matérias do Direito. “O aluno vai ter contato com uma diversidade riquíssima de matérias do Direito, especialmente, ligadas à família. Mas, mais importante que isso, é a formação humana”, pontua a professora.

O projeto Pai Presente será levado também para fora das estruturas do Poder Judiciário, com a realização do mutirão dentro de escolas públicas de Fortaleza. A primeira atividade acontece no próximo sábado, dia 21. Até setembro, pelo menos seis escolas com os maiores índices de crianças sem o nome do pai no registro receberão o projeto.

A força-tarefa será coordenada pela Corregedoria Geral da Justiça do Ceará, executada pelas Varas de Registros Públicos da Capital e terá o apoio do TJCE, da Defensoria Pública Geral do Estado, Faculdade Devry Fanor e a Secretaria de Educação do Município de Fortaleza.